Artigos Produzidos por Takiwasi

A documentação disponível na lista a seguir é uma compilação de material produzido pelo Centro Takiwasi durante seus anos de pesquisa.

1.
A mulher sem cabeça e o homem sem coração

Autor : Jacques Mabit

Artigo publicado em 1996 nas “Actas del Primer Foro Interamericano sobre Espiritualidad Indígena” e depois em “La Consciencia Transpersonal” (1999).

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Nossa formação cultural ocidental desde o berço até a universidade nos induziu a levar a sério as vias de uma abordagem da realidade positivista, racional, regida pela lógica aristotélica e logo, euclidiana e newtoniana. Isso despertou em nós uma desconfiança com relação aos “enredos” da subjetividade, as “abordagens” dos sentimentos e as “imprevisões” da intuição. Supõe-se que a valorização das provas cifradas, da causalidade linear, da flecha do tempo estar direcionada do passado rumo ao futuro, a separatividade para com os objetos e a reprodutibilidade das experiências nos imunizam contra os perigos de um misticismo descabelado e de uma temível irracionalidade, capazes de nos retroceder até os tempos obsoletos do obscurantismo. Essa postura demonstrou estar longe da objetividade divulgada, mas sim impregnada de pré-julgamentos, reações emocionais baseadas no temor, na angústia e em um delírio quase esquizofrênico tratando de torcer a realidade com a louca pretensão de controlá-la...

2.
Anotações sobre a Dieta na Amazónia

Autor : Rosa Giove

Artigo original publicado na página web de Onirogénia. Traduzido do españhol para o português por Joana Santos.

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As dietas consistem em retiros temporários no monte, geralmente durante dez dias, em isolamento, com ingestão ritualizada das denominadas “plantas mestras”, sob um regime alimentar definido e regras muito rigorosas de gestão corporal e psíquica. Cria-se assim um espaço em contacto com a natureza, dedicado à desintoxicação física e energética, para eliminar as substâncias que bloqueiam a sensibilidade. Isto favorece a produção onírica, a recordação de situações do passado não metabolizadas e a introspeção profunda; enfim, o encontro com o “mestre interior”.

3.
Coca e Ayahuasca, o mesmo destino?

Autor : Jacques Mabit

Artigo publicado em francês na Revista Cultura y Droga, Mabit, J. (2018). Coca et Ayahuasca, une même destinée? Revista Cultura y Droga, 23 (25), 15-32, Enero-Junio 2018. DOI: 10.17151/culdr.2018.23.25.2. Conferência originalmente apresentada durante a “World Ayahuasca Conference”, Rio Branco, Brasil, Outubro de 2016. Traduzido do españhol para o português por Joana Santos.

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Apesar do Peru ter construído a magnífica civilização Inca através da sabedoria proporcionada pela folha da coca, tornou-se depois o primeiro produtor de derivados tóxicos desta planta profanada. Atualmente, a folha da coca permite tratar a dependência à cocaína, sendo isto demonstrado pela experiência do Centro Takiwasi. Da mesma forma, descobriu-se há algumas décadas o poder curativo da Ayahuasca e produziu-se em pouco tempo um aumento do seu uso em todo o mundo. A dessacralização acelerada desta medicina chegará aos mesmos extremos do mau uso da coca? O que nos pode ensinar o caminho seguido com a coca em relação ao uso da Ayahuasca? O uso da coca no Ocidente foi em resposta a quê e a que responde o uso da Ayahuasca na atualidade?

4.
Encontro com o mundo dos espíritos no processo de cura

Autor : Alberto Dubbini

Entrevista de Jacques Mabit por Alberto Dubbini, Centro Takiwasi, Agosto 2018. Transcrição literal da forma oral, com as aproximações e limitações deste tipo de trabalho. Traduzido do españhol para o português por Joana Santos.

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Os espíritos não têm uma forma real, substancial, não têm corpo. Mas nós percebemo-los através do filtro do nosso cérebro e da nossa bagagem simbólico-cultural. Fazem-se percetíveis para nós a partir da nossa materialidade, do nosso sistema percetual. Quando um místico vê um anjo com asas brancas nas suas costas, não é uma realidade material, mas sim uma realidade espiritual que expressa, na sua forma percetível, a simbologia do seu ser. As asas simbolizam a sua dimensão espiritual que o podem elevar em direção ao Céu – céu espiritual, não o céu material. Os demónios também têm asas pela sua natureza igualmente espiritual, mas são negras, simbolizando a sua ligação à escuridão. São figurações, representações, e não uma “apresentação”, de algo real ou presente ao nível físico.

5.
Entrevista com o Padre Cristian Alexandria Agreda

Autor : Marcelo Mercante

Artigo publicado no PontoUrbe, revista do núcleo de antropologia urbana da usp, edição 5. Entrevista realizada no dia 14 de setembro de 2009.

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Padre Christian trabalha em Takiwasi na “reabilitação espiritual e moral das pessoas que querem ajuda para esclarecer seus problemas, suas dúvidas, sejam dúvidas de fé, na sua maneira de se comportar, coisas motivadas pelas sessões de ayahuasca. Para isso estou aqui, para ajudar. Para muitas pessoas sua cura, sua liberação se dá pela parte espiritual”.

6.
Marijuana: Anjo ou Demónio?

Autor : Jacques Mabit

Artigo original publicado pela primeira vez na Revista Takiwasi, Año III, Nº5, Setiembre 1997, pp. 63-77, Tarapoto, Perú. Traduzido do españhol para o português por Joana Santos.

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A Marijuana (Cannabis sativa) tornou-se na actualidade um tema constante de debate e simboliza perfeitamente a luta entre os defensores da liberalização total do consumo de substâncias psicoativas de uma parte e da outra os oponentes a toda a tolerância em relação a estas substâncias. Estas posições obrigam-nos quase automaticamente a escolher entre duas opções “fechadas”: a primeira que se envolve pudicamente no manto da tolerância, da liberdade e de uma abordagem pseudo “angelical” à “erva”; a segunda que sataniza qualquer modificação induzida dos estados de consciência e evoca horrorizada os números efectivamente assustadores da toxicodependência no mundo. Ao pronunciar-se sobre este tema, uma pessoa arrisca-se a parecer um carrasco mandado pelo “establishment” para manter a ordem moral ou um atraso irresponsável da fantasia hippie incapaz de enfrentar os desafios do mundo moderno.

7.
Producao visionaria da Ayahuasca no contexto curanderil da Alta Amazonia

Autor : Jacques Mabit

Artígo publicado em “O uso ritual da Ayahuasca” (Brasil, 2002)

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O conhecimento ancestral dos mestres curandeiros da Amazónia peruana, objeto da atençáo quase exclusiva de antropólogos e etnólogos até há uma década, é agrora de interesse de outros cientistas como médicos, biólogos e inclusive físicos. De outro lado existe um fenómeno social amplo nas sociedades pós-modernas ocidentais de busca individual e coletiva de novos horizontes psíquicos que abarquem as questóes existencials incluindo sua dimensáo de sacralidade. Perante a escassez de resposta pelos modeladores do pensamento moderno: intelectuais, religiosos e científicos, muitos indivÍduos se sentem atraídos pelas propostas do conhecimento ancestral e tratam de apropriar-se de sua riqueza.

8.
Ritual de reparação de crianças não nascidas

Autor : Jacques Mabit

Artigo publicado no site de Takiwasi

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Neste artigo propomos um ritual de reparação pelas crianças não nascidas (abortadas), de maneira provocada ou espontânea. Este ato extraordinariamente sanador nasce de uma experiência particular que se deu no Centro Takiwasi, no Peru, dentro de um marco terapêutico, o qual explicaremos sua origem.

9.
Xamanismo amazônico e mundo ocidental: entre o estímulo e a advertência

Autor : Jacques Mabit

Publicado na Revues Synodies “Le transpersonnel?”, verão 2005, Ed. GRETT (Groupe de Recherche en Thérapies Transpersonnelles). Traduzido do francês para o português por José Pimenta e Bárbara Galindo.

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No pequeno refúgio da Amazônia alta, onde eu moro há quase vinte anos, assisto a ondas crescentes de ocidentais sedentos para entrar em contato com as práticas das medicinas tradicionais amazônicas. Como eu fui um dos iniciadores desse movimento, não posso deixar de hesitar entre a satisfação e o pavor diante desse entusiasmo para o que agora se convencionou chamar pelo nome de “xamanismo”, inadequado do ponto de vista antropológico.

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